Lixo no Cabo de Santo Agostinho vai virar Energia ou um agravante ambiental?


USINA CTDR NO CABO VAI GERAR LUCRO NA QUESTÃO

AMBIENTAL?

Por: Moura

No sentido da preocupação ecológica aqui no Cabo, Jogar o lixo à natureza para que ela o decomponha em milhões de anos é no mínimo irresponsável. Por isto, a coleta seletiva, primeira etapa da reciclagem, tornou-se o meio mais adequado e consciente para destinar materiais dispensáveis. Aterrar o lixo urbano, solução mais comum apesar do baixo custo, esconde conseqüências incalculáveis. A contaminação de águas e da atmosfera, a disseminação de doenças e de problemas sociais são transtornos atuais provenientes da questão.


O tratamento e a disposição dos resíduos urbanos no Brasil parecem estar galgando um novo patamar, uma nova fase promissora, tanto no aspecto ambiental quanto no econômico. Segundo plano do Ministério de Minas e Energia, o lixo das 300 maiores cidades brasileiras pode significar 15% da energia elétrica consumida no país. Esse cálculo é feito sobre todo o lixo, que pode ser transformado em energia pelas usinas termoelétricas.

De olho nesse novo nicho de mercado, empresas que atuam nas áreas de resíduos, limpeza pública e saneamento começam a projetar e implantar empreendimentos que utilizem políticas já aprovadas e regulamentadas no país, que podem ser ecologicamente seguras e sustentáveis.

Embora no Brasil não exista em funcionamento nenhum sistema similar, Recife e outras cidades brasileiras estão investindo nesta tecnologia para tratar os resíduos produzidos por seus cidadãos. A cidade de Montes Claros, em Minas Gerais, e Curitiba, Paraná, estão processando e licitando a contratação de sistema similar com aproveitamento energético dos resíduos urbanos e recuperação de passivos existentes e, São Paulo, vem estudando profundamente o assunto para implantação de várias unidades

Já o Cabo e o Recife vão ter centrais de tratamento e destinação de resíduos vão ocupar uma área total de cerca de 80 mil metros quadrados (55 mil no Recife e 25 mil no Cabo de Santo Agostinho), numa estimativa de criação de 320 empregos diretos e 240 indiretos. A expectativa é de tratamento de 2.8 mil toneladas de lixo por dia.

Empreendimentos desta natureza já operam normalmente na Europa, Ásia e Estados Unidos. A unidade de Brescia, na Itália, fornece cerca de 43MW/hora de energia por cada 1,1 tonelada de resíduo sólido tratado. O consórcio Recife Energia espera tratar parte do lixo produzido na Região Metropolitana, considerando o crescimento da produção de resíduos nos próximos 20 anos, período da concessão.

Agora analisando a RIMA verifiquei que a maior parte poluente ficará aqui no Cabo de Santo de Santo Agostinho na (Unidade de Cogeração) em uma região: Local: Pólo Industrial, Condomínio Alcoolquímica Bairro: Engenho Novo Cidade: Cabo de Santo Agostinho/PE Área aproximada: 25.416,03m

E neste contexto verifiquei que alguns fatos particulares desta Rima onde o empreendimento foi dimensionado para atender a Região Metropolitana  do  Recife considerando o crescimento da produção de resíduos urbanos nos próximos 20 anos, período da concessão.

Os equipamentos serão instalados de  forma possibilitar o atendimento de toda a região metropolitana, com aproximadamente 2.856 toneladas por dia de  lixo domiciliar urbano.

Caracterização dos resíduos a serem recebidos

O dimensionamento dos equipamentos e instalações da Central de Tratamento de Resíduos e do aterro para as cinzas resultantes do processo  e materiais não incineráveis proposta, foi baseado em uma caracterização do  lixo domiciliar do Recife recebido pelo Aterro de Resíduos

Sólidos da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes. Dentro da composição encontrada estavam: resíduo sólido urbano, resíduo da construção civil, de feiras livres, mercados públicos, de poda de árvores,  jardinagem entre outros.

Regime de operação:

As unidades de recepção terão capacidade instalada para receber os resíduos, durante 24 horas, 7 dias por semana, 30 dias por mês, ou seja, em turno  ininterrupto de trabalho.

Caracterização quantitativa:

Com base na licitação pública e nas projeções de crescimento realizados através de estudos específicos, estima-se que, no primeiro ano de concessão, a entrada de resíduos sólidos urbanos seja de 1.350ton./dia. No vigésimo ano, essa estimativa é ampliada para 1.675ton./dia, permitindo a ampliação da abrangência do projeto, uma vez que a capacidade instalada de processamento é de 2.856ton./dia.

V. Descrição e Caracterização das Unidades da CTDR

Na Unidade de Beneficiamento será identificada a origem do resíduo coletado, realizada a pesagem e a triagem com o aproveitamento do material reciclável e, enfim, o beneficiamento do material restante.

A triagem e separação do material reciclável serão efetuadas pela Cooperativa de Catadores do município do Recife que passará a ser proprietária dos materiais úteis para reciclagem. A matéria orgânica será compostada para servir de adubo orgânico.

Agora vocês podem notar que o Cabo não terá participação e sim só o Recife e mesmo assim terá a maior parcela poluente em seu Município

Agora vamos analisar os resíduos poluentes gerado por esta usina aqui no Cabo (Dados coletados da própria RIMA)

Efluente Líquido

Durante as operações de descarga, estocagem, rasga-sacos, seleção e triagem, e expedição poderão surgir líquidos vindos dos resíduos coletados e das águas utilizadas para lavagem da unidade. Esses efluentes líquidos serão coletados dentro da unidade, direcionados para um tanque de armazenamento e transportados para Estação de Tratamento de Efluentes a ser implantada na Área 2. Essa estação de tratamento de efluentes pertence à Companhia Alcoolquímica Nacional, que elaborou a proposta para tratamento dos líquidos.

Vocês devem estar calejados de saber que este tipo de tratamento deixa muito a desejar basta analisar que isso é chorume e o seu destino será o Rio PIRAPAMA basta ver o local da foto da Usina abaixo


Fora disso? Água e Esgotos: A concessionária não será atendida pela Compesa, devido à ausência de redes locais, o abastecimento será feito através de poços artesianos e captação no Rio Pirapama.

Tratamento de Gases e Material Particulado

A principal fonte poluente do empreendimento é a Unidade de Cogeração. Poderão ser liberados, no processo de combustão do CDR, componentes tóxicos como gases ácidos, dioxinas e furanos, metais e materiais particulados neutros.

O volume de gases da queima do combustível foi calculada em 227,321m/h.

O  volume  de  gases  da  queima  do  combustível  foi  calculada  em  227,321m/h.  Os equipamentos previstos para o tratamento destes gases foram planejados para reduzir a emissão de poluentes de modo a garantir o atendimento aos  limites de emissão fixados na resolução nº 316 de 29/10/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente, CONAMA.

O objetivo do sistema é operar sempre com  limites  inferiores a 80% do permitido.  Para isso, a unidade termoelétrica terá um sistema de monitoramento contínuo da qualidade dos gases, tendo  um  intertravamento  total  que  interrompe  a  alimentação  imediatamente,  até  que  o problema apresentado seja resolvido. O sistema será automaticamente intertravado quando:

?Atingir o limite máximo de emissão de poluentes;

? Redução da temperatura da combustão abaixo dos padrões;

? Queda do teor de oxigênio (O2) na chaminé;

? Mau funcionamento dos monitores e registradores de qualidade dos gases;

? Queda de suprimento de ar da instrumentação.

Os produtos para despoluição dos efluentes gasosos serão adquiridos de fornecedores devidamente licenciados pelos órgãos competentes, que comprovem documentalmente sua situação de regularidade. A estocagem será feita em quantidades mínimas necessárias para o funcionamento da unidade de maneira ininterrupta, sendo realizada em locais de fácil logística em relação aos pontos de utilização. O pessoal será treinado para manusear e estocar estes produtos.

Veja que vamos agredir o que já foi agredido com outros poluentes de tarja preta que é controlado pelo Ministério da agricultura, ai fica a pergunta neste País se procede com tal conduta transparente?

Previsão de consumo médio de produtos para despoluição de efluentes gasosos:

Emissões atmosféricas

Na incineração dos resíduos combustíveis serão produzidos, de forma  estimada, os seguintes gases provenientes da destruição térmica:

Ca- (OH)2 Hidróxido de Cálcio -Pó fino 20 micron – 92% de pureza 172,0 kg/h

Carvão ativado em pó fino 325 ASTM-Mesh com Iodo 600 9,8 kg/h

Nh3 – Amônia em solução aquosa concentração de 25% 16,8 kg/h

H2O2-Peróxido de Hidrogênio em solução aquosa conc. de 25% 11,2 kg/h

FeCl3-Cloreto férrico em solução aquosa concentração de 30%  9,6 kg/h

Co2: 10,00 %

H2O: 16,73%

So2: 00,01 %

O2: 04,23 %

N2: 69,03 %

O que analisou a Rima para implantação da unidade aqui no Cabo.

O Município do Cabo de Santo Agostinho, por meio da Lei Municipal n° 1.975/2001, considera, dentre outras, como áreas de preservação permanente:

? As águas superficiais e subterrâneas;

? As nascentes, “olho d’água”, e as faixas marginais de proteção de águas superficiais;

? A cobertura vegetal que contribua para a resistência das encostas à  erosão e a deslizamentos;

? As áreas verdes nativas da Mata do Zumbi, Mata de Bom Jardim, Mata de Camaçari, Mata de

Contra-Açude Mata Duas Lagoas, Mata Serra do Cotovelo, Mata Serra do Cumaru, Mata do

Sistema de Gurjaú, Mata do Urucu, Bacia do Rio Pirapama.

Vale ressaltar que o local onde se localizará a unidade de Cogeração de energia – no Cabo embora situado dentro dos limites da Bacia do Pirapama, não é considerado área verde nativa, uma vez que situado em área industrial, em terreno já totalmente construído e modificado pela ação do homem.

Igualmente, para a implantação do empreendimento, não será necessária qualquer supressão de vegetação do bioma Mata Atlântica, uma vez que o mesmo está previsto para ser instalado em áreas  já degradadas e modificadas pelo homem, não  confrontando, portanto, o empreendimento as disposições da Lei da Mata Atlântica  (Lei Federal n° 11.428/2006).

Demais disso, se fosse o caso de corte ou supressão de vegetação desse bioma, teria o empreendedor que observar todas as restrições e limitações legais impostas pela legislação pertinente.

Avaliação dos Impactos Ambientais DIRETO

A descrição das atividades impactantes do projeto está distribuída pelos componentes ambientais afetados (Meio físico, biótico e antrópico) em cada fase do empreendimento (planejamento, instalação e operação), buscando-se interpretar a importância de cada impacto relevante para a área de influência e, sempre que cabível, à distribuição dos ônus e benefícios sociais

Foram identificados e quantificados 19 impactos, dos quais oito (08) impactos positivos todos ligados exclusivamente ao meio antrópico. Dos 11  impactos negativos dez (10) são observados na fase de Instalação e sete (07) na fase de Operação.

Das dez ações impactantes negativos da fase de Instalação somente um foi considerado permanente (Possibilidade de contaminação do solo e do aqüífero por produtos químicos e resíduos) considerando a impossibilidade de descontaminação dos solos e aqüíferos, caso estes venham a ser contaminados. As demais ações impactantes são temporárias para esta fase, que por si só é uma etapa temporária, cessando quando a obra estiver concluída.

Impactos negativos na fase de Instalação

1. Elevação da concentração de material particulado e efluentes gasosos na atmosfera

2. Alteração do nível de ruídos nas áreas e vias de acesso

3. Movimentação de terra e escavações

4. Risco de contaminação do meio aquático (rios Pirapama e Tejipió)

5. Risco de assoreamento do rio por erosão pluvial do solo

6. Possibilidade de contaminação do solo e do aqüífero por  produtos químicos e  resíduos

7. Alterações nas Condições Estruturais do Solo

8. Possibilidade de interferência dos trabalhadores com a APA – só para Recife

9. Possibilidade de riscos de acidente

10.  Possibilidade de desvalorização dos terrenos no entorno

Impactos negativos da fase de Operação

1. Elevação da concentração de material particulado e efluentes gasosos na atmosfera

2. Alteração do nível  de ruídos nas áreas e vias de acesso

3. Risco de contaminação do meio aquático (rios Pirapama e Tejipió)

4. Possibilidade de contaminação do solo e do aqüífero por produtos químicos e resíduos

5.  Impermeabilização do solo com diminuição da recarga do aqüí fero

6. Possibilidade de interferência dos trabalhadores com a APA – só para Recife

7. Possibilidade de riscos de acidente

Impactos permanentes da fase de Instalação e Operação

1.  Elevação da concentração de material  particulado e efluentes gasosos na atmosfera  Instalação e operação

2.  Alteração do nível de ruídos nas áreas e vias de acesso Instalação e operação

3.  Risco de contaminação do meio aquático (rios Pirapama e Tejipió) Instalação e operação

4.  Possibilidade de contaminação do solo e do aqüífero por produtos químicos e resíduos Instalação e operação

5.  Impermeabilização do solo com diminuição da recarga do aqüífero  Instalação

6.  Possibilidade de interferência dos trabalhadores com a APA – só para Recife   Instalação e operação

7.  Possibilidade de riscos de acidente Instalação e operação

? Dentre os impactos do meio antrópico dois são negativos (Possibilidade de riscos de acidente e Possibilidade de desvalorização dos terrenos no entorno)

Repercussão do projeto junto à comunidade

Quando a Prefeitura do Recife lançou o projeto denominado Lixo tem  Valor  -  que contempla o contrato de concessão para destinação e tratamento de resíduos sólidos e de saúde do Recife – ocorreu um debate público, divulgado na imprensa local, no qual pontuavam atitudes de crítica e de defesa da iniciativa. A discussão adquiriu maior visibilidade a partir do pedido de Audiência Pública na Câmara de Vereadores do Recife, ocorrida em 11 de outubro de 2007.

Pode supor a emergência de tensões sociais em relação à instalação da Unidade de Beneficiamento da CTDR, tendo em vista a proximidade do terreno selecionado com a APA do

Engenho Uchoa. Vale lembrar que a área já foi objeto de mobilizações e conflitos envolvendo o movimento ambientalista do estado de Pernambuco, Prefeitura,  ex-proprietários.  Há, desse modo, uma  luta que vem desde o  final da década de 70, com o objetivo de criar mecanismos eficientes de conservação da mata, como previsto na regulamentação da APA.

A localização da Unidade de Cogeração, no Distrito Industrial do Cabo de Santo Agostinho, por si só, constitui um elemento favorável, na medida em que o empreendimento é compatível com o tipo de uso previsto para essa área. Entretanto, é preciso considerar a possibilidade de surgirem críticas quanto ao tipo de tecnologia proposto pelos empreendedores, como sinalizam alguns argumentos veiculados pela mídia local (Portal Cabo)

Finalizando

A questão da destinação e da forma de tratamento do lixo constitui tema recorrente nos debates acerca do meio ambiente nas sociedades modernas. Sob o prisma da sustentabilidade – ambiental, social e econômica – os aterros sanitários e, sobretudo, os lixões existentes em muitos municípios brasileiros, têm sido alvo de críticas contundentes que assinalam o potencial poluidor dessa alternativa de enfrentamento do problema dos resíduos urbanos.

Sou totalmente a favor da implantação desta usina, mas cabe certas considerações

1- O Lixo do Cabo será tratado nesta usina por que se não for não cabe nos sofremos em benefícios de outros

2- Cabe agora verificar qual o grau comprometimento e transparência ambiental desta empresa nas questões dos resíduos a serem lançado no Rio Pirapama que é o grande abastecedor de água para o complexo Pirapama.

3- Os resíduos evaporadores lançado pela queima dos resíduos sólidos cabe uma verificação não só por órgãos estaduais e municipal, principalmente na questão do matérias pesados que serão lançado sob mínimas partículas no ar, veja que os componentes emitidos no ar são cancerígenos.

4-A proposta de construção da Central de Destinação e Tratamento de Resíduos, para atender a demanda atual e a dos próximos vinte anos da cidade do Recife, certamente representa iniciativa que merece  a  atenção dos  vários  setores  interessados, na medida  em que  contempla  solução tecnológica  inovadora, distinta das experiências praticadas até o momento.

5-Assim, considerando que ainda persiste um relativo nível de desconhecimento da sociedade organizada aqui no Cabo em relação ao Projeto que constitui objeto do presente Estudo de Impacto Ambiental, recomenda-se a realização de uma Reunião ou Audiência Pública, Promovido Pela Câmara Municipal do Cabo com o objetivo de informar à população acerca das características do empreendimento e suas possíveis repercussões socioambientais. Do encontro proposto participariam representantes das entidades que direta ou indiretamente apresentam algum tipo de relação com o projeto da CTDR.

Geração de Energia a partir do Lixo Urbano outros dados

Veja o Video abaixo:

AGORA VAMOS VOTAR VOCE È CONTRA OU AFAVOR

Ass. Moura