Luiz Carlos prates-Uma das vozes mais polêmicas do grupo RBS em versão blog: confira a opinião de Luiz Carlos Prates sobre os mais variados assuntos da atualidade.

Sinto muito, mas…

Acabei de descobrir a fórmula do sucesso. E como não sou “tão” egoísta como posso parecer, já já vou passá-la adiante. Antes, preciso dizer que todos nascemos para crescer e ser. Não é preciso dizer, todavia, que multidões, em maioria, ficam pelo caminho. Esse negócio de crescer e ser, ou ser e crescer, dá muito trabalho. E trabalho, para muitos, é um peso insuportável. Quando digo trabalho, digo trabalho obstinado, com foco, bandeira hasteada etc etc.

As linhas correm e não digo da fórmula. Vou dizê-la agora. Ela está no último livro do Lee Iacocca. Esse sujeito, italiano, chegou aos Estados Unidos por volta dos seus 10 anos de idade. Iniciou carreira na Ford Motor Company e tornou-se sucessor de Henry Ford, e, igual a este, uma celebridade, um gênio na indústria automobilística.

Mais tarde, Iacocca foi chutado da Ford. Para “vingar-se” foi para a Chrysler e deu cansaços na sua ex-empresa, a Ford.

Iacocca está agora com 82 anos, e em seu último livro — Cadê os Líderes? — ele diz que tanto para um presidente da República quanto para um executivo, as virtudes indispensáveis para o sucesso são nove. Nove. Oito deixa o cara pelo caminho. Nove.

Essas virtudes são: “Caráter, coragem, convicção, carisma, competência, bom senso, criatividade, curiosidade e capacidade de comunicação”. Você as tem todas? Cumprimentos.

A lista é boa, talvez tenha faltado um “adereço”, talvez tenha faltado a Lee Iacocca dizer que quem tem essas nove virtudes terá também sobre a cabeça uma auréola. O sujeito será um santo de virtudes e perfeição. Bolas. Ninguém, absolutamente ninguém, tem essa variedade de virtudes.

Todavia, tem uma coisa. Essas virtudes citadas pelo Iacocca podem ser resumidas em poucas linhas. Eu tenho certeza que uma pessoa “apaixonada” por um trabalho, arte, ciência, o que for, reunirá em si a coragem, a criatividade, etc, etc. Caráter, infelizmente, não é indispensável ao sucesso. Nem bom senso. E menos ainda capacidade de boa comunicação.

Sinto muito, mas não posso mentir, ou pelo menos não me posso mentir. O mundo está povoado de executivos “vencedores” sem que eles conheçam os significados das palavras caráter, bom senso ou habilidades de comunicação. Sinto muito.

E digo mais, digo pela observação, pelas leituras, pela vida das esquinas: uma pessoa de bom caráter terá severas dificuldades no mundo dos negócios. Sinto muito. Como, aliás, na Fórmula-1. Jamais um piloto bom caráter vai ser campeão do mundo, jamais.

A lista é boa, Iacocca, mas bem ficcional.