Luiz Carlos prates-Uma das vozes mais polêmicas do grupo RBS em versão blog: confira a opinião de Luiz Carlos Prates sobre os mais variados assuntos da atualidade.

Pouco tempo

Acabei de ler uma historinha interessante. Dizia de um sujeito que um dia andava passeando por uma cidade quando, de repente, viu-se num imenso jardim. Um tipo especial de parque. Entrou e pôs-se a caminhar.

Mal tinha dado alguns passos dentro desse parque, notou que nele havia várias lajes com números. Numa laje lia-se 4 meses. Em outra 1,5 ano. Numa seguinte mais adiante, via-se a indicação: 2 anos. E assim por diante. O sujeito caminhava e encontrava lajes com números, números pequenos, meses, poucos anos. Isso o intrigou.

O visitante andava e andava, lajes e mais lajes, números e mais números, todos números pequenos. Até que num certo momento, surge-lhe pelo caminho um sujeito vestido de branco e que tinha uma espécie de kit de jardineiro na mão. O visitante perguntou ao jardineiro:

— Interessante essas lajes, todas com números, 4 meses, 1 ano, 2 anos, 9 meses… Intrigante! O que é mesmo isso?

O jardineiro disse ao sujeito que aquilo não era um parque, era um cemitério e que ele era coveiro. A afirmação ergueu mais alto o espanto do visitante.

— Mas que estranho, este então é um cemitério só de crianças — observou perguntando.

O coveiro respondeu que não, que não era um cemitério de crianças. Disse que os números que apareciam nas lápides, onde também se liam nomes, era o tempo de felicidade que as pessoas tiveram durante a vida. Poucos meses, alguns que viveram ao centenário, na soma total dos momentos de felicidade na vida, não passavam de um ou dois anos, no máximo três, em tempos somados.

O visitante saiu repensando a vida. É isso mesmo, nossos momentos de felicidade na vida são escassos, escassíssimos.

A historinha pode ser “infantilâ€, mas o abissal de sua verdade não o é.

Diante dessa implacável verdade, a de que somados os minutos de felicidade passados nesta vida, a soma não vai além de algumas horas, ou quem sabe poucos dias, sobra uma certeza: ou a felicidade não é mesmo desta vida ou somos muito estúpidos e andamos correndo atrás dos ventos…

Não tenho dúvidas de que a parte mais pesada dessa verdade está na estupidez do modo como vivemos. Alguém pode pensar: “Bom, já que é assim, vamos nos atirar nas orgias do prazerâ€. Nada feito. Muitos já tentaram e logo se enfadaram. Os ricos foram os primeiros a tentar e os primeiros a descobrir que não é material a essência da felicidade que buscamos.

Santo Deus, que encrenca, o que fazer para que o relógio da felicidade tenha mais que alguns escassos segundos por dia? Talvez não procurá-la…